terça-feira, 13 de outubro de 2009

"Tropa de Elite 2" começa a ser rodado em janeiro

Fonte: FM PAN

Capitão Nascimento está de volta. Wagner Moura assume novamente o papel que se transformou num ícone do cinema nacional no policial "Tropa de Elite" (2007). Segundo o produtor Marcos Prado, sócio do diretor José Padilha, a continuação começa a ser rodada em janeiro

"O roteiro está praticamente pronto e recebendo os últimos retoques", explicou Prado ao UOL Cinema por telefone. O filme é assinado apenas por Bráulio Mantovani ("Linha de Passe"), ao contrário do primeiro, que contou com um time de roteiristas - inclusive Padilha. Prado também confirma que o elenco será o mesmo, incluindo André Ramiro, como Matias, e Fernanda Machado, como sua namorada.

Embora a história ainda seja sigilosa, Prado adianta que "Tropa de Elite 2" se passa nos tempos atuais. "Queremos abordar o que acontece com o capitão Nascimento 12 anos depois de abandonar o BOPE, como uma pessoa fica depois de sair da corporação".

O sucesso de "Tropa de Elite", no entanto, não garantiu facilidade para captar a verba de produção da sequência. "No primeiro filme, ninguém queria investir, porque era um filme que falava mal da polícia. Agora, é menos difícil achar investidores, mas mesmo assim, não captamos tudo ainda."

Prado ainda não fechou o orçamento de produção do "Tropa de Elite 2", mas acredita que deva ficar em torno do valor do primeiro filme, R$10 milhões. "A nossa intenção é filmar em menos tempo, economizar em alguns aspectos". Além disso, Moura e Mantovani também participam do filme como coprodutores. "Eles reduziram parte do cachê e receberão, então, um pouco da bilheteria do filme".

A ideia original era de "Tropa de Elite 2" ser uma série para a televisão, mas Prado disse que o resultado poderia ser superficial. "No cinema podemos abordar a atualidade de forma mais profunda com assuntos mais complexos, mais densos".

"Paraísos Artificiais"
Além de "Tropa de Elite 2", os dois sócios tocam outros projetos. "Paraísos Artificiais" deve entrar em produção logo em seguida, em meados do próximo ano. Esse longa marcará a estreia de Prado na direção de ficção, ele que é um respeitado documentarista ("Estamira").

"Quero falar sobre as drogas sintéticas e a facilidade com que são obtidas por jovens no Brasil, não apenas em raves, mas em qualquer lugar, em micaretas, no Maracanã". O roteiro está sendo escrito por Carolina Kotscho ("Dois Filhos de Francisco").

Ao levar a discussão sobre drogas para dentro de um drama familiar, Prado quer evitar rótulos e clichês. "Estamos trabalhando o roteiro, pensando se o filme deve ser mais aberto ou focar numa história".

Apesar de ainda faltar um ano para começar a rodar "Paraísos Artificiais", Prado já cogita Rodrigo Santoro para um dos papeis centrais. "Eu conversei com ele, que se mostrou interessado no projeto, mas ainda é cedo para fechar elenco. Quero primeiro lapidar o roteiro."

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

Conheça o Bope por dentro: leia trecho de "Elite da Tropa"

da Folha Online

Relatos impressionantes do cotidiano dos policiais estão em "Elite da Tropa". O breve capítulo "Emergência" pode ser lido abaixo.
Reprodução

"Elite da Tropa" relata a rotina dos políciais do Bope; livro inspirou filme

Baseado em relatos de ex-policiais do Bope, o livro acompanha o dia-a-dia de um grupo pequeno e fechado de policiais que formam a "tropa de elite", homens adestrados para agir como cães selvagens e atuar com força máxima e devastadora no front da guerra urbana.

O livro, da editora Objetiva, está à venda na Livraria da Folha.

Leia abaixo o capítulo "Emergência" de "Elite da Tropa".

*

EMERGÊNCIA

Nem todo mundo que chega ferido à linha de montagem do hospital da PM sai para receber honrarias fúnebres. Alguns se salvam. Às vezes, salva-se até mesmo quem se acha muito vivo. Ainda que a esperteza lhe custe caro. Foi o que aconteceu com o tenente Ricardo, um rapaz que gostava de valorizar o próprio passe. Antes do relato, algumas notas técnicas. Elas teriam sido muito úteis ao tenente.

Os médicos que se especializaram no atendimento às vítimas de armas de fogo, no Rio de Janeiro, tornaram-se referências internacionais - como aconteceu com o Bope, modéstia à parte. Eles têm contado com a colaboração da polícia e dos bandidos, cuja produtividade mórbida tem-se aperfeiçoado ao longo dos anos. Não tem faltado osso estilhaçado, músculo destroçado, órgão rompido, membro mutilado em escala industrial. Da plástica à ortopedia, os médicos brasileiros estão entre os melhores do mundo. Quando se trata de emergência de guerra, especializada em lesões por arma de fogo, como já disse, não tem pra ninguém. No início, nossos especialistas visitavam cirurgiões americanos que atuaram no Vietnã. Agora, são os gringos que nos procuram.

Uma lição que aprendemos com eles salvou várias vidas: quando o projétil é de grosso calibre, melhor sacrificar tecidos e órgãos, até o limite do possível, do que tentar preservá-los. A experiência demonstrou que a preservação acaba sendo contraproducente. Em resumo: se o tiro é de fuzil, abre-se a vítima de cima a baixo e só não se remove o que for vital. Por isso, abriram o sargento Romero de alto a baixo, quando levou um tiro de fuzil lateral na bunda, que entrou numa nádega e saiu pela outra. Aparentemente, eram só dois furos, um de entrada, outro de saída, com uma trajetória reta intramuscular. Nada que o tempo não cicatrizasse. Tanto que o primeiro atendimento, aos cuidados de um profissional não especializado, não envolveu nenhuma sutura. Só dois curativos e um antiinflamatório. Mal sentou na viatura que o levaria para casa, Romero esvaiu-se em sangue. A hemorragia era drenada pelo ânus. Entrou em choque e quase morreu. Foi reconduzido às pressas à sala de emergência. Sofreu, enfim, a cirurgia que lhe extraiu não sei quantos metros de intestino e lhe salvou a vida.

Pena que o tenente Ricardo não soubesse disso quando chegou à sala de emergência, posando de durão. Ele levara um tiro amigo de uma pistola, na viatura. Não foi o único, alias. Muita gente teve a mesma sorte - ou melhor, o mesmo azar. Alguns não sobreviveram. Ricardo vinha sentado na frente, e o colega, desatento, sentado no banco de trás, não tomou as medidas de segurança necessárias. A arma sem protetor, inadvertidamente, disparou, atingindo o ombro do tenente, por trás. Para driblar a corregedoria e impressionar as enfermeiras, Ricardo entrou avisando: "Não foi nada. Uma bobagem. Um bando de traficantes me armou uma cilada, mas dei um jeito neles. Foi só um tiro de fuzil no ombro." Antes que contasse a própria vantagem, deram-lhe um sossega-leão na veia, entubaram-no e chamaram os cirurgiões especialistas, que o abriram do umbigo ao pescoço, adotando o procedimento padrão. O tenente sobreviveu, mas aprendeu que nem sempre vale a pena bancar o machão, exagerando o calibre do heroísmo.

*

"Elite da Tropa"
Autor: André Batista, Luiz Eduardo Soares e Rodrigo Pimentel
Editora: Objetiva
Páginas: 315

quarta-feira, 27 de maio de 2009

Oposição recua e suspende obstrução no Senado para votar três MPs

GABRIELA GUERREIRO
da Folha Online, em Brasília

A oposição decidiu suspender a obstrução aos trabalhos do Senado para votar três medidas provisórias que o DEM e PSDB consideram de "interesse relevante" ao país.

Depois de ameaçar obstruir todas as votações no plenário do Senado irritados com a postura do governo na CPI da Petrobras, líderes do DEM e PSDB fecharam acordo com os governistas para votar nesta quarta-feira as MPs que estabelecem o novo valor do salário mínimo, regulamentam a merenda escolar e liberam crédito ao BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social).

"Nós sugerimos inverter a pauta para votarmos essas matérias. Vamos votar contra o salário mínimo, a merenda escolar? Não. Nós mantemos nossa obstrução à medida provisória que cria o Fundo Soberano porque isso não é de interesse do país", disse o líder do DEM no Senado, José Agripino Maia (RN).

As três MPs perdem a validade na próxima segunda-feira, por isso a oposição decidiu colocá-las em votação nesta terça-feira. Agripino disse que o DEM e o PSDB não queriam ser acusados de derrubar o novo valor do salário mínimo, que pulou de R$ 415 para R$ 465.

"Iam nos culpar. Invertemos a pauta para colaborar com matérias do interesse nacional", afirmou Agripino.

A oposição anunciou a obstrução às votações em represália à decisão da base aliada governista no Senado de ficar com a presidência e a relatoria da CPI da Petrobras. O DEM indicou o senador Antônio Carlos Magalhães Júnior (BA) para a presidência da comissão, mas o governo não abriu mão de acumular os dois cargos de comando da comissão.

domingo, 3 de maio de 2009

Voto distrital com lista de votação é um escárnio

PMDB, PT, PSDB e DEM se unem para "garrotear" o eleitor, impondo-lhe um modelo elitista: na cabeça da lista de votação ficam os amigos do "rei" e, na cauda ficam os "bagrinhos", apenas para coonestar a eleição dos "tubarões"

Votação em lista: o acesso aos mandatos parlamentares não mais dependerão empresariado, mas dos "donos" dos partidos políticos

O Congresso pretende instituir a ditadura dos partidos: o voto em lista, isto é, usurpa o direito do povo votar em candidatos

Eis o que publica o Blog do Josias:


Congresso prepara ressurreição da reforma política

O Legislativo tentará, nesta semana, mudar de assunto.

Deseja arrancar das manchetes as transgressões éticas.

Em troca, vai oferecer o debate sobre reforma política.

Na mesa, proposta formulada por uma comissão de deputados.

Coordenou-a o deputado Ibsen Pinheiro (PMDB-RS).

retende-se reservar a sessão de quarta (6) para esmiuçar o projeto.


Diz-se que há muito por reformar no sistema eleitoral brasileiro.

Congresso prepara ressurreição da reforma política

O Legislativo tentará, nesta semana, mudar de assunto.

Deseja arrancar das manchetes as transgressões éticas.

Em troca, vai oferecer o debate sobre reforma política.

Na mesa, proposta formulada por uma comissão de deputados.

Coordenou-a o deputado Ibsen Pinheiro (PMDB-RS).

Pretende-se reservar a sessão de quarta (6) para esmiuçar o projeto.

Diz-se que há muito por reformar no sistema eleitoral brasileiro.

Mas o grupo sugere que os colegas se concentrem num par de temas:

1. Voto em lista;

2. Financiamento público das campanhas.

A prevalecer o item 1, o eleitor deixará de optar pelo candidato de sua preferência.

No encontro com as urnas, passará a votar apenas nas legendas.

Somados os votos, elegem-se os candidatos escolhidos previamente pelos partidos.

Quanto mais votos obtiver uma agremiação, maior o número de eleitos de sua lista.

Quem elabora a relação de candidatos? As cúpulas partidárias.

Vingando o item 2, o custeio das campanhas passaria a ser bancado pela Viúva.

Os partidos ficarão proibidos de correr o chapéu defronte de guichês privados.

Deseja-se, em suma, o seguinte:

Que o eleitor pague por um pleito no qual lhe será negado o gostinho de optar por este ou por aquele candidato.

A isso se resumiu a reforma política urdida nos subterrâneos do Congresso.

O par de idéias tem o apoio dos partidos que importam: PMDB, PT, PSDB e DEM.

Se levadas a voto, não são negligenciáveis as chances de que passem.

“Precisamos aprovar até o final de setembro”, diz Ronaldo Caiado (GO), líder do DEM.

Explica-se: para que possam vigorar em 2010, as novas regras precisam vir à luz um ano antes da eleição.

Na dúvida, a Justiça Eleitoral esboça regras mais rígidas para o manuseio de verbas em 2010.